Capítulo 0

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Por Mathieu Pellerin

[PT]

Perfeição vs Autenticidade

"Não procures a perfeição, procura a autenticidade"

◼️De vez em quando deparo-me com imagens ou frases no meu dia-a-dia que me fazem refletir profundamente. O post desta semana será sobre a pressão que é sentida e criada nos dias de hoje para obrigar o ser humano a ser perfeito, e que é a grande razão pela qual nem sempre conseguimos ir mais longe quando temos um objectivo em mente.

Numa era em que aprendemos a questionar tudo, a capacidade de identificar se algo é realmente autêntico está a perder-se a olhos vistos. A desinformação passou a ser a norma e a credibilidade que atribuímos a canais de notícias oficiais diminui a cada dia. A partir do momento em que passámos a premiar hologramas e pessoas concebidas por IA a fazerem-se passar por seres reais, a direção e impacto desta era digital ganhou um intuito.

Tendo crescido num ambiente com pais que tiveram carreiras relacionadas com a indústria da televisão portuguesa, acredito com orgulho e certeza que o poder da comunicação é muito necessário e nunca desaparecerá. Porém, cabe a cada um de nós optar por qual o canal que se deve reger, e infelizmente, a informação que nos é disponível actualmente gera mais dúvida que resolução.

A pressão para agir e pensar de forma perfeita tanto em frente como fora das câmaras é por vezes formada pela própria pessoa, depois de estar constantemente a receber informação selectiva e de ver posts nas redes sociais que relembram o que já deveria ou poderia ter sido alcançado até uma certa idade. Outras vezes é imposta pelos nossos pais, colegas, sociedade, os nossos parceiros, cultura, normas, etc... O importante a reter daqui é que nada é verdadeiramente perfeito na vida. E ainda bem. Apesar de podermos criar a nossa versão de "perfeito" usando critérios próprios e trabalhando duro para os alcançar, podemos também deparar-nos com uma corrida sem fim contra o tempo na qual acabamos por nos sentir insatisfeitos com o que nos rodeia.

Para aqueles que já estão pré-formatados a procurar sempre a perfeição, sei que é difícil largar esse desejo irrealista e não é uma aprendizagem rápida, mas é possível.

No meio profissional, toda a gente com quem trabalhei sabe que sou uma pessoa perfeccionista e com olho para o detalhe. Nunca me importei minimamente por fazer horas extra se necessário, caso o cliente ainda não estivesse satisfeito com o resultado final. Na realidade, ao fim do dia, o meu trabalho não deixa de ser um meio para ajudar a tornar a visão dele/dela em algo concreto. Desde que a equipa tenha boas condições asseguradas, serei sempre uma criança feliz no set, independentemente da hora, do local, do tema.

Na minha vida pessoal, tento desapegar-me ao máximo dessa limitação de modo a viver de forma mais livre, e como jovem adulta de 27 anos, considero-me uma das "weird people" que fazem parte da geração MZ, mas escolhem activamente viver maioritariamente offline de modo a estarem presentes em cada momento.

Na indústria da moda e do entretenimento há um certo julgamento inevitável sobre o que a pessoa diz, faz, sente, pensa, dado que não é possível agradar toda a gente. Posso garantir pela minha experiência que há de haver sempre alguém que não concorda com a direção criativa tomada para o projecto, pois o conceito de arte é extremamente subjetivo. O que para uns aparenta ser etéreo e puro, para outros é interpretado como sendo insípido e sem inspiração. É impossível negar que há uma demanda e insistência para moldar a pessoa na imagem que o outro imaginou, de tal forma que muitos perdem a sua essência pelo caminho.

Ser autêntico está a perder o seu significado. Não conseguimos saber ao certo se aquilo que/quem estamos a apoiar é real ou não. A bondade não é encorajada e até pode ser surpreendentemente vista como um sinal de fragilidade. A individualidade anda a ser mal interpretada e usada como desculpa para justificar ações que apenas protegem o próprio, mas que tiveram consequências negativas em outrem. E a lista continua... Contudo, não considero correcto que apenas por estes valores serem implementados na sociedade com linhas pouco definidas, devemos aceitar tal facto. Em vez de nos queixarmos sobre o assunto, o que podemos fazer é olhar bem para as nossas ações e comportamentos e refletir sobre como podemos melhorá-los de modo a sermos melhores pessoas, melhores cidadãos e melhores amigos, inclusive para nós mesmos.

E é por isso que, apesar de não ser perfeito, decidi criar este blog. Chamo-lhe de: o meu 'espaço criativo' e será uma mistura de diferentes temas, pensamentos aleatórios que surgem na minha mente, e onde irei usar histórias do passado sobre a minha carreira e trajeto para partilhar o que aprendi ao longo do tempo, que me fazem ser quem sou hoje, e quem sabe, ajudar alguém de algum modo.

O nome é "MC's PointOfView (O PontoDeVista da MC)" pois é totalmente baseado na minha perspectiva, nas minhas experiências e nas minhas opiniões. Dado isso, se alguma parte do meu conteúdo for levada como um insulto ou ofensivo, fica aqui o meu pedido de desculpas de antemão. Não seria confortável para quem lê, se eu introduzisse um "disclaimer" antes de cada frase, por isso agradeço a compreensão nesse sentido.

Por último, gostaria de acrescentar que se bem que é certo que esta é a minha opinião, estou sempre de mente aberta para debater os vários assuntos numa conversa com moderação, respeito e cordialidade nos comentários abaixo. Só ouvindo outros pontos de vista é que temos uma plataforma para crescer em conjunto.◻️