Capítulo 13

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Capítulo 13
Por Cátia Castel-Branco

[PT]

"Não tenhas pressa de viver" -MC 2025 – 1ª Parte

◼️Olá 2025! 新年快樂兒!

Quem diria que o ano começaria com uma necessária pausa de 3 meses. Como sempre, agradeço por se manterem desse lado e espero que 2025 vos esteja a tratar de forma gentil. Obrigada por seguirem o meu projecto de uma forma tão atenta e incansável. Por vezes é difícil acreditar que já escrevi e publiquei 12 capítulos a partir de Coventry e que de momento encontro-me a escrever o número 13 sentada na minha secretária. Janeiro passou a correr, o mês de fevereiro teve os seus percalços, e março provou ser mais desafiante do que inicialmente planeado, mas nada me impede de vos trazer o meu conteúdo escrito quando os ambientes se reúnem de novo.

Para mim, a vida não gira em torno dos meus salários, das minhas posses, ou da aceitação que as redes sociais promovem e que é quantificável pelo número de gostos ou visualizações. É claro que não posso negligenciar o facto de trabalhar diligentemente para viver uma vida da qual me orgulho, e com certeza todos partilhamos o sentimento de precisarmos de alguns recursos, segurança financeira e relacionamentos para atingir tal feito. Porém, mesmo quando tenho todos esses aspectos assegurados, continuo a sentir-me vazia se o propósito estiver em falta.

A forma que encontrei para gerir esse sentimento é dedicando-me a um trabalho que me proporciona mais do que um cheque de pagamento, e relacionamentos com amigos que ultrapassa o superficial e a conversa sobre a meteorologia. Não mutuamente benéficos, mas mutuamente enriquecedores.

Já por várias vezes questionei o porquê de sentir essa necessidade e constato que, caso contrário --> a vida torna-se mais difícil de navegar. Nesse cenário, o que antes era a cores viraria cinzento, por isso fica a pergunta: Até certo ponto, não seremos todos iguais de uma maneira ou de outra?

Cada palavra que escrevo e partilho aqui convosco, queridos leitores, tem um desígnio. Nada é escolhido ao acaso – e eis a razão pela qual teimosamente decido escrever em ambas as línguas – sem a ajuda de aplicações e ferramentas de tradução automática. A não ser que seja deste modo, como poderia eu chamá-lo de “meu”? Como poderia eu escrever o meu nome e representar a minha marca pessoal?

Talvez o meu ponto de vista seja considerado um juízo parcial, mas é um atributo que me permite conduzir debates esotéricos na minha mente e desviar pensamentos convencionais, sendo que acredito que a falta de sentido é o grande inimigo da esperança.

Pondo esta última frase em termos simples: Sou o oposto de um niilista.

Como pessoa simbólica que sou, tenho tendência a fazer ou tomar decisões arbitrariamente imprevisíveis para alguns, mas para mim, não haveria melhor altura para o dizer ou fazer. Deixarmo-nos levar com a maré sem necessitarmos de um outro tipo de justificação para a ação leva-me a escolher como tópico de hoje --> o simbolismo ♾️

O ‘Simbolismo’, mais conhecido pelo movimento literário do século XIX na Poesia e nas Artes, não é bem aquele a que me refiro. A relação que intenciono explorar hoje é a forma de comunicação que faz uso de uma utilização sistemática ou criativa de representações abstractas de conceitos.

É verdade que os símbolos podem transmitir ideias e temas complexos sem os termos de explicar explicitamente. Eles aumentam significativamente a experiência visual e sensorial de uma história, mas este capítulo pretende focar-se menos nos símbolos que nos mostram diariamente e mais no modo como cada pessoa interpreta o mesmo.

Na minha opinião, o simbolismo está em todo o meu redor: em quase tudo o que faço, toco ou sinto. Diria que é a minha maneira de juntar algumas peças do quebra-cabeças e representa pequenos momentos de felicidade frugal.

• Estrelas; A luz & a sombra; O sol & e a lua; O oceano; 13 & 8; Sorrisos; Pincéis; Chaves; Espelhos; Flores de cerejeira; Flocos de neve; Bull terriers •

Em retrospectiva, uma série de palavras aleatórias ou conceitos vagos não tem propriamente sido o meu modus operandi de escrita… ora então… Porque terei eu achado relevante e onde estará a conexão que os interliga?

Na minha cabeça.

E na vossa.

Em tempos tive uma amiga que do nada se virou para mim e disse o seguinte: “Tu és capaz de olhar para uma porta branca e criar uma história de origem cativante. Uma onde a porta quase que ganha vida no papel e passa a ter uma voz própria. Para mim, não passa de uma simples porta branca, mas para ti, é um mundo de possibilidades.” Essa conversa serviu como uma toma de consciência quanto à forma incomparável de contemplar e imaginar detalhes que cada um tem. Nunca considerei uma porta apenas como um objecto, imaginei-o como um ser que precisa de cuidados e vê tudo o que passa dentro da habitação. Um símbolo de protecção; Uma espécie de guardião, pois divide espaços; Sabe quem entra e que sai e provavelmente observa coisas chocantes ao longo dos anos...

…eee antes que o meu cérebro entre numa tangente de pensamento e comece a divagar em relação ao significado que essa porta poderia representar ao ser pintada de cores diferentes, e como cada cor poderia ligar a ideia a uma certa emoção ou era…

…vamos regressar ao tema principal deste capítulo 🔙

Das palavras aleatórias que citei acima, gostaria de trazer algum foco ao número 13, pois é um “número da sorte” um tanto questionável. Analisando as diversas interpretações culturais da numerologia descobri que por um lado, na cultura ocidental, a ‘sexta-feira 13’ é considerada um dos dias mais azarados do ano. Há inclusivamente edifícios que saltam directamente do 12º andar para o 14º para evitar “desgraças”. Por outro lado, na cultura chinesa, o número simboliza longevidade e boa fortuna. Vou até um passo mais longe, pois na época da Mesopotâmia a sua civilização era firmemente crente do número 13 estar associado a transições e novos começos – significando o fim de um ciclo.

Um número; Inúmeras perspectivas: algumas assustadoras, outras trágicas, e por fim promissoras.

Desde o início das celebrações deste Ano Novo Lunar que o céu ganhou mais umas estrelinhas. A expressão que melhor define a alma e vigor das pessoas em questão é “uma verdadeira força da natureza”, lembrando-me assim do oceano e, portanto, dedicando parte deste capítulo a elas.

‘As nuances multifacetadas do oceano’

Quer de modo literal ou figurativo acredito que o mar tem um doutoramento em sabedoria. A sua disparidade é sentida em força perante a sua capacidade de se manter calmo e relaxante de se ouvir, enquanto enfrenta turbulências desenfreadas. Ao fim do dia ~ independentemente do número de ondas agitadas que surgem pelo caminho ~ permanece firme ao fabricar um ecossistema com condições para o nascimento de novas vidas.

Ignorando o facto científico de que o corpo humano é composto por cerca de 60% de água, eu interpreto-a como um símbolo de conexão. A água é um poema sem palavras. É o que me une aos meus familiares e amigos próximos, o que interliga continentes, e ultimamente o que é o responsável por nos manter vivos. Sendo que não é uma entidade emocional, não pensa, não racionaliza, apenas existe. O seu poder provém do quão impressionantes, mas potencialmente destrutivas, as suas manifestações marítimas podem vir a ser, e acredito que não é por acaso que as lágrimas são normalmente a última gota da lealdade.

Em criança, e quando ia de férias com os meus pais para um sítio com uma piscina/praia/ou equivalente, gostava de ficar submersa até os meus dedos virarem farinha e os meus lábios mudarem de cor - ao ponto de levar a minha mãe a ter que arranjar formas de estrategicamente convencer-me a sair da água, vestir e ir para casa. Tive inclusivamente uma fase em que queria ser bióloga marinha para desvendar as profundezas do oceano, dado que a sua aura misteriosa era extremamente apelativa aos meus olhos.

Essa paixão pela água e pelo desconhecido sempre me acompanhou de perto, moldando a minha visão do mundo e a minha relação com ele.

'Nunca podemos pisar o mesmo rio'

Nós estamos em constante mudança. Abraçar a mudança, quer simplesmente dizer, não ficar paralisado pelos sentimentos associados à incerteza. Viver deveria ser celebrado ao invés de receado com alguma apreensão. As minhas amigas que partiram recentemente passaram-me os seus ensinamentos de que é possível envelhecer abraçando cada fase da vida com um sorriso na cara, à luz do sol e da lua. Escolher lutar pela independência e uma alma criativamente colorida que rejeita tornar-se cinzenta face à insistência externa.

Espero que as suas aprendizagens também cheguem aos céus.

Perder alguém pode ser inexoravelmente doloroso. ‘Assim como a maré, as pessoas vêm e vão’ num mar ferozmente imprevisível. Às vezes encontramo-nos a remar contra a corrente e pensamos que o que estamos a fazer é o mais correcto, pois toda a gente à nossa volta faz o mesmo. Contudo, até aqueles que achamos que estarão lá, podem afundar-se pelo caminho e desaparecer em meros segundos. E agora? Se eram eles que guiavam o trajecto, encontramo-nos num impasse. O mar gere-se de acordo com o que a natureza lhe fornece e cabe então à nossa bússola interior guiar-nos pelo caminho de menos arrependimento. É nesses momentos que devemos encontrar em nós a força para continuar, honrando o legado que aqueles que uma vez nos abençoaram com a sua presença deixaram para trás.

‘Promovendo o crescimento ~ seguindo em frente, em paz e com confiança'

No presente, encontro-me a procurar a areia preta a meus pés enquanto a cidade subaquática arde em fogo azul. Sendo que a única coisa que podemos mudar numa situação imutável é a nossa atitude - o passo seguinte neste tabuleiro fluido de xadrez está nas mãos de cada um. Nunca se torna mais fácil, mas em momentos de maior inquietação, procuro relembrar-me que apesar da água ter a habilidade de apagar o fogo, continua a ser possível acender um de dentro para fora - se nos esforçarmos o suficiente para tal. Quando realmente queremos alcançar algo na vida, encontramos um caminho nem que seja com uma tocha de magnésio alegórica.

Não é bonito pensar que conseguimos abraçar o mundo numa única respiração? Só temos que querer -Imaginá-lo e torna-se realidade-◻️