Capítulo 6
[PT]
Credibilidade vs Confiança
"Tudo se aprende, nem que seja à custa de erros" -MC 2016
◼️Há poucas coisas na vida para as quais confirmo que não tenho muita paciência: uma sendo a limerência, outra o preconceito – e neste capítulo – gostaria de enfatizar o mexerico. Esta semana decidi trazer-vos um tópico que pode ser moderadamente controverso, mas que não deixa de estar alinhado com o que tenho tentado transmitir com este projecto.
Em situações pontuais, chegam à minha atenção ocorrências que reforçam a minha percepção do quanto as pessoas adoram criar conversa fiada. “O x disse-me y sobre ti” ou “Aquela pessoa diz que fizeste z” (e geralmente acreditam sem confirmar com a fonte). Serão déjà vus dos tempos do 2º e 3º ciclo de escolaridade? Pergunto-me como é possível que haja quem nunca cresça, apesar de ter tido acesso ao mesmo tipo de educação e de oportunidades. É desconcertante.
Com todo o devido respeito a quem opta por passar o seu tempo desse modo, mas não é um tipo de atividade que me preencha (:
Permitam-me que seja franca por um segundo: Se eu achasse que cada um dos meus seguidores fá-lo porque se preocupa em saber do que é feito de mim, seria considerada lunática. As redes sociais foram desenhadas com uma natureza de cusquice e actualmente têm 3 propósitos: vender algo, promover algo, ou comunicar algo. Inicialmente, o Facebook chamava de “amigos” a quem aceitasse o convite para conectar e passar a fazer parte da sua rede, mas eu sempre soube que conto os meus verdadeiros amigos pelos dedos da mão; talvez duas se tiver muita sorte. Quem não consegue abrir os olhos para tal facto, vive sob a ilusão de que a vida virtual que criaram é mais real do que corresponde à realidade. A questão que se coloca aqui é que assim que os anos passam e essas pessoas “amadurecem”, caem numa espiral de negatividade e ressentimento para com eles próprios, que projectam para com os outros em última análise.
Estão familiarizados com a Lei Cármica de causa e efeito? De acordo com esta lei, qualquer pensamento e energia que escolhamos emanar para o mundo, recebê-la-emos de volta – boa ou má. A teoria do carma considera não só a ação em si, mas também as intenções, atitudes, e desejos ocultos – antes e durante a ação.
Voltando à analogia do Facebook, o número de “amigos” que aparecia no perfil era apontado como sendo o determinante se alguém era visto como notável ou digno de amizade. Alguns chegavam a ter 1000+ ou 2000+ ou 5000+
Na minha opinião, levar isso para além do seu valor nominal é comparável a ‘pensar como um alienígena, ou seja, puramente irrealista’. Mas para que o meu argumento tenha substância, vamos imaginar que não o é por um instante.
Presumo que construir todos esses relacionamentos de forma consciente deva ser cansativo e deveras trabalhoso, mesmo que estejam todos comprimidos num único grupo de WhatsApp. Conseguem imaginar terem que se repetir mais de 1000 vezes de cada vez que têm notícias a dar, ou mesmo, estar a par do que cada um está a fazer? E esse foi o cenário mais directo que consegui criar na minha mente, mas posso dar-vos outros. Se falarmos com esse número de pessoas por apenas 1 minuto todos os dias, a soma chega aos 1000+ minutos, equivalente a ~17 horas. Inclusive, se diminuirmos esse número para 100, o que continua a não ser alcançável, teríamos que gastar 1 hora e 40 minutos do nosso tempo e saltitar a cada 1’… Percebem e/ou partilham o rumo deste meu pensamento?
Expôr a dolorosa realidade da validação externa para fins de aprimoramento do ego não é engraçado de se ler. Tenho noção disso. Porém, escolher abstrair-se desse sucedido é muito mais perigoso.
Já ouvi pessoas a enaltecer o quão os meus pensamentos ‘mudaram’ a partir do momento em que passei a ser uma estudante universitária. Todavia, isso é uma avaliação incorrecta. Pode ser uma surpresa para alguns, mas eu tenho estado a trabalhar neste projecto ao longo dos últimos 5 anos. Não foi uma epifania noturna e momentânea, mas sim um exercício de paciência com foco no auto-desenvolvimento. Acima de tudo com esperança de alcançar um ponto de partida, onde a minha idade já não fosse vista como ‘inadequada’ para o tipo de temas que queria discutir convosco.
A razão principal pela qual antes não me vocalizei de uma forma tão cândida é simples: não iria ser levada a sério. Como rapariga de 22 anos, sabia perfeitamente que é comum associar a credibilidade a quem tem mais vivências e experiências, de modo a ser mais confiável. Provavelmente nos tempos de hoje ainda não sou levada a sério, o que não opõe problema algum. Com isto não quero dizer “Sigam o meu exemplo que eu sei tudo”; Mas sim “Eu tenho questões, vamos encontrar a resposta em conjunto” e “Se quiseres fazer parte desse processo de descoberta, estás à distância de um botão”. Eu criei este abrigo online, cujo trabalho consiste em investir algumas horas da minha semana a rever as minhas notas e a parafrasear tudo da melhor forma que sei, para 1) chegar a um público vasto e 2) promover o crescimento mútuo nesta plataforma.
Permitam-me que também acrescente que, apesar de eu crer que é mais do que explícito com a minha escrita, o meu blog não é um sítio onde o ódio e a fofoca pertencem, ou onde se use a mesquinhez e/ou o escândalo. Se é esse tipo de conteúdo que procuram, ou se leem por recearem que possa mencionar o vosso nome, podem descansar assegurados. Há muito tempo uma pessoa próxima proferiu que uma das coisas mais preciosas da vida, e que não devemos poupar esforços para proteger, é a nossa privacidade. Dado que não só iria afetar a minha, mas também a de outrem, e não faz parte do meu carácter sequer, não deve depender de mim começar esse efeito “bola de neve”. ‘Menos drama tempestuoso, mais dança à chuva’.
Outro ponto que gostava de tocar neste capítulo é o montante de perguntas que recebo em relação é minha memória detalhada. Consigo racionalizar algumas possíveis explicações para partilhar convosco. Em número um, diria que o facto de ter vivido cada momento no presente, cada fase, cada país, cada ambiente… resultou em organizar a informação no meu cérebro numa espécie de gavetas (atribuídas a cada ano) que abro de acordo com a minha vontade. Outra grande razão plausível é a minha persistência em nunca estar privada de sono, para poder funcionar na minha capacidade máxima desde cedo, e o cuidado em escolher os alimentos que introduzo no meu corpo para poder complementar e nutrir de acordo com as necessidades do organismo. O exercício físico, e a prática de desportos (onde incluo a dança), também são propulsores da regeneração dos tecidos e células e é sobretudo em criança que tais hábitos devem ser adoptados. De qualquer das maneiras, estão sempre a tempo de melhorar nem que seja 1% do dia anterior. Por opção, eu nunca fumei, não bebo álcool (salvo raras excepções de âmbito social), não tenho o mínimo interesse em rotinas pouco saudáveis e os meus “vícios” abrangem: chocolate, a companhia dos meus amigos sem distrações, música, e desafios criativos.
Para não me alargar mais, quem tenta definir-me provavelmente gosta de procurar uma agulha num palheiro, porque eu própria não me coloco em caixas pré-definidas. Há quem diga que sou um mistério. Há quem diga que a minha personalidade é clara como a água. E a verdade está algures pelo meio. Prazer em conhecer-vos.◻️